Amanhã é 23, mas hoje eu não sei…

Olá meus queridos, tudo bem? O calor esta de matar por aqui, e os insetos não deixam barato. Whatever, vamos falar de música?

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Bom, na verdade, de uma música específica, mas ela serve de exemplo pra muitas outras. Quem ai não se deleita com letras de músicas e as torna parte da vida, onde tudo faz sentido na letra, ou simplesmente ela lhe traz uma lembrança, uma ideia, qualquer coisa que sempre que você escuta altera seu humor, ou suas expectativas? Devem existir muitas, mas pouca gente para realmente pra analisar sobre o que exatamente elas querem dizer. Bem provável que nunca chegaremos 100% a compreendê-las de todo, pois quem escreve uma letra de música pode estar pensando em muitas coisas, ou em nada, apenas rimando esse verso com aquele. Alguns artistas dão pistas, outros explicam metodicamente, e alguns deixam toda a responsabilidade pra você. Cabe então, você transforma-la no que convir a você, e durante muito tempo eu achava isso errado, mas hoje, tenho certeza do valor das ideias que podem surgir das mais diferentes pessoas que analisam, mesmo que superficialmente, algo desse tipo. Vale lembrar que isso se aplica, muito mais comumente, a livros e filmes, principalmente os bons.

Ok, eis a letra da música “Amanhã é 23”, do Kid Abelha, composta por George Israel e Paula Toller:

As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final do mês de Agosto

Há vinte anos você nasceu
Ainda guardo um retrato antigo
Mas agora que você cresceu
Não se parece nada comigo
Esse seu ar de tristeza
Alimenta a minha dor
Tua pose de princesa
De onde você tirou

Amanhã, amanhã
Amanhã, amanhã

Amanhã é 23
São oito dias para o fim do mês
Faz tanto tempo que eu não te vejo
Queria o seu beijo outa vez…

No final do post tem um link com a música, caso você não conheça ou queira ouvir. Enfim, do que se trata a letra?

Quando eu era mais jovem, achava que falava de alguém, como uma paixão. Me confundia se era “ele” ou “ela” por que obviamente esta falando de uma garota, mas quem canta também é uma mulher, oras, então é coisa de compositor mesmo, eu pensava. Alguém que um dia estava ali, e há muito tempo não se encontravam, e agora, perto deste dia, talvez algo fosse acontecer… Nunca pensei muito sobre isso, era simplesmente melancólica, e eu adorava a sensação que me passava. Aliás, é uma musica bem interessante na melodia, usando uma composição de baixo, saxofone e guitarra que dão um ar um tanto pesado e urgente, em minha opinião. Vendo outras músicas do Kid Abelha, você pode ter certeza que é uma banda profissional, pois muitos arranjos não é qualquer “punk” que consegue compor ou mesmo imitar.

Kid Abelha

Ok, com o passar do tempo, deixei a musica de lado, e por muito tempo não a ouvi, mas volta e meia ela aparecia, inclusive um dos raros CDs originais que comprei na vida era um duplo da banda que se foi com algum amigo que não lembro agora quem é. Trevas e sofrimento para ele por não me devolver. Bem recentemente, ouvi a musica, e minha cabeça explodiu!

Não existia mais alguém para encontrar, que não fosse a própria cantora. E se ela estivesse falando com o espelho? E Se ela estivesse triste por olhar uma foto e não entender como ela estava se sentindo mal agora e antes parecia que tudo ia dar certo? E se ela estivesse esperando essa data para resolver algo, que a fizesse se sentir como antes? Sim, me pareceu bem lógico, me pareceu definitivo… É engraçado como nos sentimos orgulhosos quando resolvemos as coisas assim, apenas pensando nelas né? Como já citei aqui no blog, deve ser a mesma sensação que você tem quando olha pra América do Sul e a África e de repente imagina que elas podem se encaixar, e que um dia estiveram juntos… E ninguém te disse, você que descobriu! (Você pode se sentir melhor ou pior depois de uma pesquisa, quando se da conta que já sabiam disso há muito tempo… srsrrsr). Me senti desbravando uma ideia. Paula Toller colocou ali sua voz numa análise mais profunda de si mesma, e eu era um felizardo que tinha entendido… Só que não.

Dom Casmurro, de Machado de Assis, é um dos livros mais carismáticos e enigmáticos na hora de interpretar...

Dom Casmurro, de Machado de Assis, é um dos livros mais carismáticos e enigmáticos na hora de interpretar…

Quando me deu coragem de pesquisar melhor sobre a letra da música, surgiu uma ideia que, olhando agora, parece muito mais óbvia do que minhas análises: A letra fala do relacionamento de uma mãe com a filha. Filha que fugiu de casa ou não esta presente por qualquer motivo, e a data é o aniversário dela, onde ela fica mais sensível a esse sentimento depressivo que ela desenvolveu por causa da distância… Ou algo assim. A questão é: Por que não me dei conta dessa ideia antes? Será que é por que não tenho filhos? As outras ideias cegaram essa perspectiva? No meu caso não, mas às vezes rola incredulidade, simplesmente não aceitamos que seja o óbvio. Quem ai conhece aquela musica do Queen “Love of my life”, pode ainda pensar que se trata de um cara falando da pessoa amada, que a machucou e tal, mas troque pessoa por “drogas” e você vai ver que parece fazer muito mais sentido. Principalmente se você sabe do que drogas são capazes.

Mas mesmo assim, se você não concordar com outra perspectiva sobre a letra das musicas que você gosta, não tem problema. Eu acho que boas musicas são assim mesmo, cada pessoa tira delas o que precisa, o que convir. Usa-as da forma que melhor lhe cabem, e nada disso esta errado, ou é menor do que alguém que se diz entendido pra avaliar textos. Assim como os poemas, os livros e filmes, eles já são bons se despertarem em você alguma coisa. Se você descobrir que não era aquilo que imaginava, talvez se torne mais interessante ainda. Nunca se sinta enganado de verdade por essas coisas, você não é obrigado a saber de tudo e interpretar tudo de forma correta. Mas também não tome para si sua verdade como absoluta, pois se vale pra você interpretar, vale para todos.

Se vocês já passaram por isso, ou tem alguma opinião sobre o assunto, comente, vamos conversar mais! Obrigado.

Aqui a música do Kid Abelha pra quem gosta e quem não conhece (e a Paula ainda fala justamente sobre essa coisa de “interpretar” no começo desse video):

Recomendo que você ouça também a versão estúdio, com fones de ouvido no talo!

Aqui vai Freddie Mercury com Love of my Life, em show épico no Rock in Rio de 1985:

Bem, é isso, espero que tenham gostado. Comentem!

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Você vai acordar o Homo!

Olá pessoal, tudo bem? Espero que sim. Estou tentando arrumar meu quarto, mas acho que só na copa isso irá se concluir. Whatever, vamos falar um pouco sobre… Homos!

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Primeiro, quero deixar bem claro que não estou generalizando minha opinião, nem de qualquer forma existe algum tipo de preconceito com homossexuais e simpatizantes, bem como intenção de formar uma opinião que penda para qualquer lado em relação a isso. Eu apenas quero registrar algumas impressões que tive e que tenho com esse universo, e isso inclui amigos, conhecidos, noticias e qualquer coisa que aborde o assunto.

18jun2012---homossexuais-celebram-com-um-selinho-a-17-parada-do-orgulho-lgbt-popularmente-conhecida-como-parada-gay-na-tarde-deste-domingo-18-na-orla-de-copacabana-rj-com-o-lema-coracao-nao-1353258386919_1920x1080Quando eu era adolescente, homossexualismo era uma coisa bem velada, que gerava pouco ou nenhum interesse pra mim, e só despontava vez ou outra quando pegavam alguém pra chamar de “florzinha” ou de “mulher-macho”. Pensando agora, eu nem percebia o que isso realmente significava na época. Chamar alguém de “florzinha” só denotava pra mim um menino covarde ou tímido, e “mulher-macho” eram justamente aquelas que pareciam querer resolver as coisas no grito, ou na mão. Com o passar do tempo, a questão sexual entrou na conta, e comecei a entender melhor o que significava tudo aquilo.

Na verdade, até hoje eu não entendo completamente esse universo, mas nunca em minha vida pensei que era algo errado. Existem muitas explicações, desde genética até opção pessoal, e cada uma delas tem uma parcela de responsabilidade na formação das opções das pessoas, mas a diferença maior que percebo da minha adolescência para hoje em dia, é que a tolerância geral é bem maior, socialmente, embora individualmente ainda existam para alguns, barreiras enormes para “sair do armário”. E também na mesma proporção, quem tem seus preconceitos parece se sentir mais seguro de expô-los. Curioso né?

Em determinado momento, a gente também percebe como os homossexuais sempre estiveram a nossa volta, e fazem parte da nossa vida. Cazuza, Renato Russo, Fred Mercury… Adriana Calcanhoto, Tracy Chapman, Ian Mckellar… A maioria ai você já deve saber, mas existem muitos outros que a gente até fica surpreso, e se você não tem preconceitos, é só isso mesmo: uma surpresa. Passou, a vida continua.

Eu tinha uma visão bem romântica sobre isso. Pensava em duas mulheres se beijando, uma coisa doce e sensual… Já com homens fica difícil ver essas coisas, por que nós homens sempre pensamos na relação gay como algo meio… Sei lá, complicado definir. Parece “não e encaixar” se é que me entendem, rrsrr, e mesmo assim, nunca pensei que fosse algo errado, por que eu tenho na minha cabeça que se você escolhe alguém do mesmo sexo pra ser feliz, a opção e as consequências são só suas, assim como eu faço minhas escolhas.

Convivendo com muita gente que, em determinado momento, se assumiu homossexual, ou pelo menos “aberta a experiências”, percebi que muita coisa não é fácil, e talvez bem mais complicada do que um relacionamento heterossexual.

two-girls-kissing-softly-wallpaperNão sei se culturalmente, ou intrínseco na opção, homossexuais precisam definir na relação uma posição. Pense assim: duas mulheres se gostam, mas uma delas tem que assumir um papel mais “ativo” que a outra. Basicamente, uma tem que ser o “homem” da relação, e a outra de fato a mulher. Não sei se isso é geral, mas todos com quem tenho contato, que se mostraram homossexuais, encaixam nessa “regra”. Cabe dizer também que, algumas pessoas podem ter relações ou se envolver com pessoas do mesmo sexo, mas não necessariamente são homossexuais. Essas pessoas o fazem por opção ou oportunidade.

Percebi como é complicado duas pessoas do mesmo sexo se entenderem completamente. O que parecia mais fácil do meu ponto de vista é, na verdade um processo difícil e moroso, onde as pessoas passam por situações difíceis a todo o momento. Sem contar na vida dupla que muitos tem que levar, pra não magoar um pai ou uma mãe, ou ainda, não afetar a vida profissional.

Embora exista esses e muitos outros problemas que homossexuais tem que enfrentar no seu dia a dia, é interessante como eles são as pessoas mais positivas que conheço. Alguma coisa na maioria deles tenta sempre te passar o positivo, o bom, o legal das coisas. Eu não sei como, mas eles conseguem. Rrsrr.

Hoje, com liberação de casamento, passeatas, melhor aceitação, e tudo que promove a liberdade dos homossexuais, talvez sejam os primeiros passos para uma sociedade onde realmente vamos julgar as pessoas “pelo que fazem”, não por “com quem dormem”.

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Fica aqui uma musica do legião que adoro:

Ah, O título do post veio daqui:

Nada a ver mas…

Não se esqueçam de comentar e curtir, quem quiser e puder, deixe sua opinião sobre o assunto! VLW!

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Ação – Reação

E ai pessoal? Be-le-za?  Espero que sim.  Percebi que não estou gripado, ou pelo menos meu corpo s nega a admitir isso. Whatever, vamos ao que interessa!

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Existem muitas leis na nossa sociedade que interferem em nosso comportamento. Por exemplo: “É proibido trafegar no acostamento”. Isso limita o usuário da via a trafegar nas faixas expressas e caso ele use o acostamento pode sofrer alguma penalidade, como ser multado ou preso ou sei lá, eu não sei qual é a pena. Mas basicamente, podemos dizer que estas leis estão passíveis de punição através de flagra ou denúncia, e podem ou não ser aplicadas penalidades, depende do caso, e no fim, é preciso à interação de ambas as partes (infrator e autuante) para que haja este processo. Basicamente, as leis dos homens se aplicam e só funcionam entre eles. Mas existem leis que independente dos envolvidos, são aplicadas sem espaço para “conversa”. Relaxa, não é o Juiz Dreed! Estou falando das leis da natureza, da Física. Nosso mundo, nosso universo conhecido, tudo que permeia nossas vidas estão a rigor embasados numa lei bem simples: Toda ação causa uma reação. Você esquenta a água  e ela vai evaporar em algum momento. Você joga uma pedra para o alto, e em algum momento ela vai cair. Você deixa uma garrafa de vidro com água completamente cheia no congelador, e em algum momento ela vai estourar.  Já aconteceu com você? Pela lógica, tudo que esfria se contrai, e deveria ocupar menos espaço, mas a água faz o contrário, ela expande quando congela… Mesmo na natureza, nem toda lei é absoluta.

Ação e reação envolve muitos parâmetros, que atuam na maioria das vezes de forma harmoniosa (Isso não significa que não possam ser dramáticas) para chegar ao fim do ciclo. Por exemplo, quando atiramos uma pedra para o alto diagonalmente, ela vai realizar uma parábola (movimento curvo) até cair de novo. Temos ai algumas forças, como a gravidade (força que empurra a pedra para o chão), força cinética (força com a qual você jogou a pedra para o alto), resistência do ar (dã…) e outras coisas mais complicadas, que nem eu sei explicar, mas no geral, é isso: você causou uma ação (jogou a pedra), ela sofre uma reação (sair voando), e à medida que se desloca, outros agentes, reagindo com esse evento, vão causando outro evento, até desacelerar o objeto e este ficar em repouso em algum lugar.

Mas que isso tem a ver com eu e você?  Oras, é isso que acontece com todos nós o tempo todo. Assim como na Física, um evento não necessariamente depende apenas de um fator isolado para acontecer, e às vezes existem tantos fatores agindo sobre o mesmo evento que é quase impossível saber qual vai ser o resultado. E mesmo ciente de todas as “forças” que vão agir na sua “ação”, ainda há a probabilidade de não se ter o resultado que se espera. Por exemplo, sei de pessoas que se matam de estudar para fazer um exame, e na hora da prova, parece que toda a informação fugiu da cabeça. Poxa, você estudou, você sabia, e na hora… Pode ser tanta coisa. Havia preparo, mas na hora… Infelizmente acontece, pode haver vários motivos. Varias ações que causam esta reação. Mas nem é esse o caso deste texto, pois o pior é querer uma reação quando não há Ação! Se você se dedica a alguma coisa, e mesmo assim ela não sai como o planejado, existe sim a frustração, mas ninguém vai poder dizer que você não agiu. Agora esperar um resultado de algo que você não investiu, fica bem complicado.

Vejo muita gente dizendo que não acontece nada, mas a maioria não esta agindo para acontecer. É o mesmo que reclamar que não ganhou na loto, sem mesmo ter jogado. Temos um incrível poder de nos sabotarmos, e outro mais incrível de jogar a culpa no alheio. Isso não crítica a ninguém, pois eu mesmo sei como isso funciona. Sei como é complicado fazer meu cérebro lidar com o que eu quero fazer, e com o que eu TENHO que fazer.  Por que meu inglês é ruim? Por que eu nunca estudei oras… Por que eu estou acima do peso? Por que eu desisti de exercícios ou de uma alimentação mais saudável… Por que eu não paro de fumar? Por que eu nunca TENTEI… E afinal de contas, se eu sei a reposta para todas as “reações” que eu gostaria de ter, por que eu não pratico as “ações”?

Isso não tem uma resposta definida. Consigo lidar com algumas coisas, consegui realizar algumas delas, outras não tenho forças pra terminar, e algumas nem pra começar. Cada pessoa vai definindo ao longo da vida suas prioridades, e age conforme o dia permite alguns com mais empenho, outros menos. Muita coisa são como as forças da natureza, está além de nosso poder e entendimento, e aqui é aquela velha historia que prego no blog: Quanto mais preparado você estiver, mais fácil será, e se mesmo assim não der pelo menos você fez algo. Temos uma vida curta, e à medida que o tempo passa, ela vai se tornando cheia de espaços vazios, que achamos que o tempo vai preencher algum dia. Alguns conseguem, de alguma forma, suas ações lhe dão seus resultados em algum momento, mesmo que nem eles entendam as forças envolvidas, outros nunca vão conseguir, e vão sempre se lembrar desses buracos quando pensarem que deviam ter agido para preenchê-los em algum momento. Se você os tem, quem sabe ainda esta em tempo…

Ah, só lembrando pessoal, quem quiser comentar, compartilhar ou interagir de alguma forma, eu agradeço e ajuda muito. Espero que gostem e gostaria de saber a opinião de vocês sobre os textos e assuntos. VLW!

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Zumbis – Era uma vez…

Olá pessoal, tudo bem? Ando meio gripado, esse tempo de São Paulo destrói qualquer um… Mas, vamos falar de uma coisa boba hoje. Boba assim, enquanto estiver na imaginação…

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 Já faz um tempo que os “zumbis” dominaram as mídias: Filmes, seriados, livros, quadrinhos, jogos, discussões, movimentos pop-culturais, entre tantas coisas por ai. Muita coisa legal, como a série de quadrinhos The Walking Dead, e a série de TV, o jogo left 4 dead, que é muito divertido em minha opinião. Outras coisas não tão boas, como uma porrada de filmes… Digamos, abaixo de qualquer média (se você achar “Zombie Stripers” meus pêsames. rrsrr), enfim, gosto é gosto, e não é a ideia aqui discutir isso.

Já li bastante sobre a onda “zumbi”, e acho até interessante como o assunto é abordado em algumas obras, mas talvez eu seja chato demais, e acabo me saturando das coisas fácil, e hoje meu interesse no “gênero” é bem restrito, mas o interessante é a opinião de muitas pessoas sobre uma possível realidade onde “zumbis” estivessem andando tranquilamente por ai, no nosso dia a dia. Opinião que, aliás, algumas levam bem a sério.

Quando nos entretemos com um filme, livro ou jogo, e ele nos faz pensar sobre uma situação ou sequência de eventos, é legal imaginar isso ou aquilo, trocar ideias, fazer passeatas fantasiado, ir a eventos, manter vivo e interessante aquele universo ao qual você foi introduzido. Inclusive, alguns filmes, e muitas pessoas têm até manuais de sobrevivência em caso de “apocalipse zumbi”. Divertido mesmo, eu tenho uma imagem aqui com um protocolo bem interessante. Mas tudo isso é entretenimento, e é engraçado como quanto mais bizarro e caótico as coisas se tornam, mais o ser humano gosta. Será que alguém realmente desejaria isso? Acordar em um mundo onde os mortos estão por toda parte, e cada movimento tem que ser bem pensado para não se tornar um deles? Bom, eu queria achar que não, mas é bem provável que algumas pessoas estão estocando comida enlatada por ai.

 Probabilidade indefinida, medo constante.

 Vamos tentar formar um quadro aqui misturando elementos de várias obras sobre zumbis, e ver se seria realmente “legal” a ideia de poder matar zumbis com machados por ai.

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 Contaminação: A maioria das obras sobre zumbis hoje em dia fala de uma infecção causada por vírus. Desde Resident Evil a Walking Dead, o que temos é um vírus que infecta as pessoas e de alguma forma mata o hospedeiro, e logo em seguida ativa apenas uma parte do cérebro, responsável por alguns instintos básicos, como a fome. Existe também contaminação por alguma geleca ou gás radioativo, experiências governamentais ultrassecretas ou qualquer coisa do gênero. Na nossa realidade, existem alguns casos de “zumbificação” reais, entre alguns insetos, como é o caso da mosca que consegue controlar o comportamento de uma abelha, ou da vespa que faz o mesmo com uma barata, ou de fungos que fazem o mesmo com insetos. Um exemplo bem conhecido é a toxoplasmose, que quando afeta ratos, faz os roedores perderem o medo de gatos. Os toxoplasmas só se reproduzem no organismo dos gatos, portanto, é interessante que seus hospedeiros roedores sejam devorados pelos felinos. E ai? Toxoplasma é bom estrategista? Rrsrr. De qualquer forma, todas as situações reais envolvem, ironicamente, não a morte, mas a proliferação da vida. Estamos salvos até agora, pois não há comprovação de nenhum ser que possa nos infectar e precise que sejamos devorados ou mortos para se proliferarem. Não que alguns não matem… Além disso, é sabido de doenças causadas por parasitas que afetam nosso “humor” e algumas reações cognitivas, portanto, talvez estejamos apenas a meio caminho de sermos zumbis. Dê ai mais 50 mil anos e um desses pestinhas descobre como mandar na gente totalmente.

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Cordiceps. O fungo que infesta insetos e altera seu comportamento.

 Reação: Principalmente nos filmes e séries, é abordada a situação de reação das pessoas diante de um “zumbi”. Alguns morrem de medo, outros instintivamente atacam, alguns acham uma boa maneira de extravasar, há quem ainda fique sem reação, e acho que a maioria faria isso. Você sai na rua e seu vizinho (o vizinho legal, não aquele que não tem noção do volume e do gosto musical) vem ao seu encontro, babando e provavelmente pálido e com marcas de sangue seco pelo corpo, talvez metade da mandíbula exposta…

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Enfim, ele se aproxima e você… Você pode ter assistido 50.000 filmes, lido 300.000 protocolos, mas eu acho que a interrogação que vai surgir na sua mente no máximo vai te fazer dar meia volta e correr pra casa pra digerir a cena. A vida real é muito mais brutal que qualquer coisa que o cinema ou a TV ou os livros possam te mostrar. Na verdade, saber que algo é de “verdade” é a questão. Vou dar um exemplo e espero que ninguém se meta a besta de seguir esse exemplo: Navegando por ai na internet às vezes você acha coisas bizarras, quem conhece aqueles sites de acidentes ou vídeos reais de mortes sabe o que estou falando, e foi nessas que eu vi um vídeo onde uma pessoa era assassinada por garotos. Eu não consegui ver o vídeo inteiro, e nem é questão de ser brutal, eu simplesmente não me conformava com o que o ser humano pode fazer, e me senti ofendido, incapaz e frustrado de não poder ajudar. Se fosse um filme, seria bem diferente, pode até te emocionar, angustiar, mas é um filme. De verdade é outra história. Então, quando você se deparar com alguém “zumbificado”, principalmente se for alguém que você já conhece, é bem provável que seu mundo desabe, e você pense na sua mãe ou se esconda debaixo da cama. Isso, é claro, seria uma primeira impressão. Nós temos um poder de adaptação muito grande, então não fique triste, pois depois de alguns dias, você pode estar dando risadas enquanto enfia um machado na cabeça do seu vizinho (naquele sem noção de som alto, provavelmente). Minha única ressalva é com pessoas que amamos de verdade. Isso não tem como ser divertido em momento nenhum na minha cabeça.

Defesa: Ok, você já esta conformado que o mundo degringolou e agora o que importa é se defender. Já reparou que todo mundo acha uma arma fácil, atira na cabeça como se fosse o Robocop, cria armadilhas sofisticadas…

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Mas da uma olhada agora na sua casa, e me diz se você tem ai um machado… Não? Uma faca bem grande e afiada… Só uma sem corte? Ok, você tem alguma arma de fogo? Também não? Na verdade, é provável que muitos tenham alguma coisa em casa, desde uma frigideira a um cabo de vassoura. Nesse mundo qualquer coisa serviria não é? Quando pensamos em armas brancas, até é possível que muitos possam se safar e aprender a usa-las de forma criativa, mas quando penso em armas de fogo, fica bem complicado. Nem é questão de falta delas, o problema é quem tem querer dividir com você. Você dividiria as suas? Se você tem duas ai, você simplesmente daria uma pra alguém? E a munição? Um dia ela vai acabar por que nesse quadro, é provável que não exista mais produção acessível para pessoas normais.  Alguns podem saber onde tem, mas como consegui-las? Teria que ter muita sorte pra saber onde tem e ainda estar disponível, sem ninguém que as quisesse também. Aqui entra outro fato que pode ser tão ou mais perigoso que os zumbis: as pessoas normais. Por que é com elas que você vai dividir o que sobrou. É delas que você vai ter que tomar o que importa, se elas não quiserem “colaborar” com você. É delas que você vai ter medo quando achar que se livrou dos zumbis. Elas é que se transformarão em monstros quando se sentirem acuados, com medo, ou simplesmente quando acharem que podem sobrepujar outras pessoas. Não sei se o exemplo vale, mas eu acho que seria como numa prisão onde tudo é meio “nas coxas”. Algumas pessoas mandariam, outras teriam que fazer sacrifícios, se transformarem, confiança seria algo complicado de ter com alguém. Tudo que necessitasse teria que ser negociado, e quando não houver negociação, teria que se tomar alguma atitude drástica. A ideia de comunidade seria algo bem trabalhoso, mas eu sei que existem pessoas altruístas por ai, e quem sabe elas conseguissem manter um grupo coeso, se houver algum espirito de colaboração entre eles. É mais provável que os grupos sejam formados e se mantenham apenas entre pessoas mais intimas e amigos próximos. Se eu tivesse que formar um grupo, já imagino um monte de gente que eu não gostaria que estivesse nele, pois assim penso teria menos surpresas e manteria mais seguro a mim e quem realmente gostaria de proteger.

Manutenção: Pense como seria  ter que roubar a comida de uma criança, matar alguém que pode ter uma família, duelar por uma lata de ervilha…

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Basicamente, nossa cultura voltaria à pré-história… Pois se manter num mundo onde, teoricamente, a produção de alimentos e vestimenta cessaria, a agua potável se tornaria bem limitada, os meios de transporte públicos não funcionam e mesmo quem tem carro teria dificuldades em abastecer.  Pior, não haveria serviços públicos, então o lixo produzido ficaria em qualquer canto, as pessoas teriam que fazer suas necessidades por ai, além do montante de corpos em decomposição, que tornariam o cheiro insuportável em alguns locais. As doenças que surgiriam com tudo isso, a falta de medicação, a sensação forte de que ninguém, NINGUÉM, além de você mesmo, pode cuidar de você.  Uma dor de dente e nenhum frasco de anti-inflamatório por perto, e você vai pensar que os zumbis são o menor dos seus problemas. E se for um filho teu enfermo, ou outro alguém que você ama? E se a solução for tirar de outro que também precisa? As pessoas podem agir de várias formas, eu conheço pessoas que com certeza não titubeiam na forma como fariam pra conseguir o que quisessem. As mulheres, penso eu, teriam mais problemas ainda, principalmente se estiverem sozinhas. E não é que elas sejam mais frágeis, mas se no nosso mundo como é elas já sofrem o que sofrem nas mãos de ignorantes e oportunistas, imagine num mundo onde possivelmente nada impediria ninguém de fazer o que quisessem, sem medo de retaliação.

Quadro geral: Eu creio que os seres humanos sobreviveriam a um “apocalipse zumbi”, e começariam tudo de novo.

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Num primeiro momento, o caos e desespero elevariam todos os instintos humanos ao máximo, e pelo que sabemos, sempre sobrevivemos a esses momentos desde que estamos neste planeta. Passado o “susto”, é provável que algum tipo de organização social surgisse, e isso seria o início de outra era dos humanos na Terra. Dependendo do grau de “ferração” que os zumbis causarem, em mais ou menos tempo os alimentos e vestimenta seriam produzidos de novo, a energia elétrica chegaria novamente aos lugares mais afastados, as comunicações seriam reestabelecidas, e uma vez que todos possam se comunicar, todos saberiam como lidar com o mundo dali pra frente. E logo iriam escrever historias sobre este evento, e fariam jogos e filmes e quem sabe um feriado sobre tudo isso. Tudo um pouco mais triste para quem viveu e sobreviveu nesse meio tempo, e muito fantástico para quem nascerá depois.

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The Office.

Embora existam muitas séries acessíveis hoje em dia para uma gama ampla de espectadores, creio que apenas algumas se sobressaem em meio a diversidade que a tv a cabo ou via rádio ou “internética” proporciona.

Eu acompanho algumas, e sei que todos tem as suas preferidas ou mais vistas. Casos como The Walking Dead e Game of Thrones mostram a força dessa mídia que atrai mais gente a cada dia a compartilhar suas expectativas, critica e anseios nas rodas de amigos e conversas de bar. Dias atrás estava numa padaria e duas garotas conversavam sobre The Walking Dead, sobre como  Rick vai fazer isso ou aquilo, ou por que tal personagem morreu assim ou assado. “No spoilers“, fiquem tranquilos.
É gostoso ver isso. É o mundo do qual eu faço parte, e vejo pessoas falando sobre ele, com suas opiniões e dúvidas . Talvez ainda seja cedo, mas é um passo interessante na desvinculação da TV ABERTA no cotidiano das pessoas. Talvez ainda seja pouco, por que sei o quanto de pessoas ainda não desfrutam disso, mas esta acontecendo, e isso já é alguma coisa.

A gangue da primeira temporada

OK, mas esse texto é para falar de uma série específica, que pode não ser o TOP da maioria, mas com certeza dificilmente passam despercebidas: The Office. Ela é feita no formato de Sitcom (comédias de situações, como Two And a Half Man), dura cerca de 20 minutos cada episódio, e seus personagens são até caricatos, exagerados e, quase sempre, engraçados. Mas também elas lidam com situações cotidianas que as vezes são dramáticas, e isso é que te pega, por que você acaba se apaixonando por eles, e fica com alguma expectativa do que vai acontecer nos próximos capítulos  Isso, claro, é cuidadosamente feito para pegar você, e faze-lo gastar algum com a série, para alegria dos produtores. É justo, eles me dão risadas, eu compro um box de DVDs ou BLU-RAYs. Em breve, não estou podendo agora, srsrr.
A versão de The Office que estou comentando é a americana, criada em 2005, pois já havia na Inglaterra outra versão da série, que nem sei dizer se ainda esta no ar, mas creio que não. Aliás, por ser baseada na série Inglesa, The Office traz muito do “humor britânico”, e acho que esse é o maior empecilho para cair no gosto nacional. Quem não conhece esse termo, não se desespere: Sabe aquele amigo seu que faz piada com o enterro da sua bisavó? E na hora você pode até se sentir ofendido, mas se fosse com outro você cairia na gargalhada? Pois é, humor britânico é mais ou menos isso.

Steve Carrel como Michael Scott que esta interpretando o agente MIchael Scarn!

Steve Carrel como Michael Scott que esta interpretando o agente MIchael Scarn!

Apresentando Steve Carrell como Michael Scott, o gerente regional da Dundler Mufflin, distribuidora de papel, a série de inicio já mostra o grau de sem-noção dos personagens. Michael é uma pessoa que precisa de atenção constante, e ele não mede esforços para ser percebido ou ser o centro do universo no escritório. Temos o vendedor/plantador de beterrabas Dwight, interpretado por Rainn Wilson, que sempre que é chamado de assistente de gerente regional corrige dizendo que é gerente assistente regional. Ele tem uma admiração por Michael e boa parte do que faz é para ser reconhecido por ele. Jim halpert (John krasinski) é o tipo boa praça, o mais normal do grupo, apaixonado pela secretária Pam Beasley (Jenna Fischer).  Eles  formam aquele par que a medida que o tempo vai passando se torna querido. mas não se engane: ela é noiva de Roy, que trabalha na expedição da empresa.

Pam e Jim.

Pam e Jim.

The Office mostra com muito humor e certa crueldade alguns aspectos das pessoas e as situações que as envolvem. Vemos um grupo que trabalha numa empresa que fornece papel, sem expectativa de crescimento profissional e as voltas com os problemas e alegrias do cotidiano do trabalho. O formato da série simula um reality show, onde um grupo de cinegrafistas filma os funcionários e eventualmente entrevista um ou outro, e essa é uma sacada muito boa, pois nessas entrevistas a gente vê a situação da perspectiva do personagem.

Dwight fazendo um Break. repare nos bonequinhos dele.

Dwight fazendo um Break. repare nos bonequinhos dele.

Um exemplo, pra vocês entenderem: Em um capítulo que fala sobre um possível corte de pessoal, Pam Beasley, a secretária, esnoba sua função, dizendo que não seria grande coisa ser demitida, já que ali fatalmente não faria mais nada da vida. Ainda comenta sobre ser artista plástica e entre risos para a câmera deixa a entender que não dá a mínima para quem pode ser demitido, mesmo ela. Mais pra frente, Michael, o gerente, faz uma brincadeira, acusando-a de roubo, e diz que ela seria demitida por isso (roubo de post-its!!), e pra ele é ótimo, pois não teria que lidar com o problema de escolher alguém pra demitir. Ela começa a chorar, e quando Michael diz que é brincadeira, ela sai nervosa aos prantos. Entenderam qualé? Quem ai nunca fez pouco caso de algo na vida, e quando aquilo parece que vai ser perdido, você percebe que não era tão insignificante assim?

Os personagens as vezes fazem análises profundas sobre a situação em que vivem, e ao serem entrevistados pelo cinegrafista, percebem o quão estão mentindo pra si mesmos, ou levando com a barriga coisas na vida. Não se enganem, não é um drama. Steve Carrel como Michael Scott, durante as 8 temporadas que participou, foi se tornando o centro das situações,e temos ali um homem com problemas graves de personalidade, necessitando cada vez mais de atenção, causando constrangimento e humilhação para seus funcionários, mas no fim, você percebe o quão solitário ele é, e tudo que faz no escritório é pra suprir essa necessidade.

Vemos o desenrolar do relacionamento entre Jim e Pam, as manias e imprevisibilidade de Dwight, a futilidade de kelly, o oportunismo de Ryan, e tudo que acontece com cada um no horário do expediente, e as vezes fora. Embora eu tenha citado poucos aqui, todos os personagens tem seus momentos: Creed, que é um “inspetor de qualidade”, praticamente não aparece na série nas primeiras temporadas, mas depois de um tempo, é como se ele estivesse lá, sempre ativo. Difícil explicar, só assistindo pra vocês entenderem.

Creed aparece pouco, mas quando aparece...

Creed aparece pouco, mas quando aparece…

Não tem como você não rachar de rir com as pegadinhas de Jim pra cima do Dwight, que inclusive já pensou estar falando com ele mesmo no futuro por causa de uma dessas! Simplesmente hilário. todos os personagens acabam se tornando parte de uma grande família, e se você conseguir entender ao que se propõe a série, vai se divertir demais com ela. Como eu disse, o humor não é pra todos, as vezes até eu me sinto constrangido com alguma coisa, e algumas situações acabam levando ao óbvio, se você prestar atenção nos detalhes, mas é isso, uma comédia inteligente, que faz uma crítica divertida ao ser humano em todos os aspectos. Seja bem vindo a Dundler Mufflin!

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